TREINAMENTO DE FORÇA

PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

 

Comentários: Dr. José Maria Santarem

BENEFÍCIOS DO TREINAMENTO DE FORÇA
O treinamento resistido (TR) consegue estimular eficientemente a força muscular e o desempenho esportivo, além de prevenir e reabilitar lesões. De maneira similar à outras formas de atividades físicas, o TR tem demonstrado um efeito benéfico em vários marcadores de saúde, tais como a aptidão cardiovascular, a composição corporal, a densidade mineral óssea, o perfil dos lipídios sanguíneos e a saúde mental. Em crianças com sobrepeso, o TR consegue aumentar a taxa metabólica sem alto impacto. O TR na adolescência tem um efeito positivo na densidade óssea. Em crianças com paralisia cerebral, o TR melhora a funcionalidade global, a força muscular e o bem-estar.
O TR aumenta a força muscular em pré-adolescentes e adolescentes, mesmo com freqüência de uma vez por semana, embora os programas de treinamento realizados duas vezes por semana possam ser mais benéficos. O TR também é adequado para as crianças e auxilia na aquisição de habilidades específicas para o esporte e para a melhora do controle postural. Os ganhos na força muscular, no volume muscular e na potência desaparecem em aproximadamente 6 semanas após a interrupção do treinamento resistido.
Em pré-adolescentes, o TR aumenta a força muscular sem o aumento concomitante na hipertrofia do músculo. A força aumenta principalmente pelo aprimoramento da coordenação neuro-muscular. Este mecanismo esclarece o aumento da força muscular em populações com baixas concentrações de hormônios andrógenos, incluindo indivíduos do sexo feminino e meninos pré-adolescentes. A hipertrofia muscular ocorre de forma mais pronunciada em meninos e meninas na puberdade.
Exercícios preventivos (pré-reabilitação) são os que fortalecem áreas geralmente vulneráveis a lesões por excesso de uso como os ombros e a coluna vertebral. Alguma dúvida existe quanto à possibilidade do TR conseguir reduzir a incidência de lesões graves relacionadas aos esportes em adolescentes.

RISCOS DO TREINAMENTO DE FORÇA
Muitas das questões sobre lesões associadas com o treinamento de força originam- se dos dados do US Consumer Product Safety Commissions National Electronic Injury Surveillance System. A maioria das lesões ocorre com equipamentos de musculação domésticos, praticados em ambientes não supervisionados. As distensões musculares são responsáveis por 40%-70% de todas as lesões ocasionadas pelo TR. Os índices de lesões em treinamento supervisionado são menores que aqueles que ocorrem em outros esportes ou em jogos recreacionais.
O TR não tem efeitos adversos para o crescimento estatural, para as cartilagens de crescimento, ou para o sistema cardiovascular. Jovens atletas com histórico de hipertensão arterial, assim como os adultos, devem estar adequadamente controlados com medicação durante o TR.
Os adolescentes em quimioterapia com antraciclinas podem apresentar um risco   cardiovascular aumentado devido aos seus efeitos cardiotóxicos, e o TR deve ser cuidadoso. Os adolescentes que apresentam cardiomiopatias graves (particularmente a cardiomiopatia hipertrófica), devem ser orientados a não praticarem o TR. 

Indivíduos com hipertensão pulmonar moderada a severa também devem  evitar o TR intenso. 
Pessoas jovens com síndrome de Marfan não devem praticar TR. Jovens com epilepsia precisam de supervisão especial no TR. 
Crianças com sobrepeso são freqüentemente descondicionadas e com baixos níveis de força, necessitando de supervisão rigorosa no TR.

DIRETRIZES PARA O TREINAMENTO DE FORÇA

Uma avaliação médica da criança antes de iniciar um programa de TR é recomendada. Os jovens que demonstram interesse em aumentar a massa muscular devem ser desencorajados de utilizar esteróides anabólicos em função dos riscos para a saúde. A American Academy of Pediatrics (AAP) condena energicamente a utilização de substâncias proibidas que aumentem o desempenho atlético.
O TR não deve ser iniciado antes dos 7-8 anos de idade devido à imaturidade dos sistemas relacionados com o equilíbrio e a manutenção da postura. A execução dos movimentos não deve ocorrer de forma rápida e explosiva para não produzirem sobrecargas inadequadas nos tecidos corporais. A maioria das máquinas de TR é destinada para adultos e possui graduações nas cargas inadequadas para as crianças mais jovens. Os pesos livres permitem um aumento pequeno e gradual das cargas e são mais próximos das situações reais da prática esportiva, mas são mais difíceis de serem realizados.
O levantamento de pesos como uma modalidade esportiva tem tido a participação de crianças sem apresentar um índice elevado de lesões. A supervisão minuciosa e a aderência à técnica correta de execução dos movimentos são importantes para a segurança. No entanto, crianças imaturas esqueleticamente devem evitar a competição em levantamento de peso e fisiculturismo, e também não devem realizar testes de carga máxima.
Algumas diretrizes da AAP, da American Orthopaedic Society for Sports Medicine, e da National Strength and Conditioning Associations são: 
1- Crianças devem iniciar o TR com exercícios de baixa resistência (carga), até que a aquisição da técnica seja perfeita. Quando conseguirem realizar um número de repetições entre 8 a 15, um aumento de 10% na carga é permitido.
2- Os exercícios devem incluir todos os grupos musculares, e devem ser praticados com amplitude completa de movimento.
3- As sessões de treinamento devem ter a duração entre 20 e 30 minutos, por 2 a 3 vezes por semana. O TR com mais do que 4
sessões por semana não parece ser mais eficiente e pode levar ao excesso de treinamento.
4- Uma supervisão adequada é definida como a relação professor/aluno de 1 para 10, ou seja, um professor para cada 10 alunos. 
5- Um aquecimento adequado de 10 a 15 minutos, bem como o desaquecimento ao término da sessão de treinamento por meio de alongamentos apropriados, são recomendados. 
6- Para o objetivo de obter benefícios à saúde, o treinamento de força deve ser combinado com um programa de treinamento aeróbico.

Referências bibliográficas, tabelas e gráficos podem ser consultadas no artigo original. 
http://www.treinamentoresistido.com.br/tr/Pages/Articles/Article.aspx?id=352&mode=2
Este texto é uma revisão de posicionamento do American Academy of Pediatrics sobre o treinamento de força para crianças e adolescentes. O treinamento de força (também conhecido por treinamento resistido - TR) é um componente habitual dos programas de condicionamento físico em todas as idades.

 

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